Ex-prefeito de Lajeado é preso pela PF por suspeita de desvio de verbas federais repassadas após enchente
26/02/2026
(Foto: Reprodução) Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado, é preso em ação da PF
O ex-prefeito de Lajeado Marcelo Caumo foi preso na manhã desta quinta-feira (26) em uma operação da Polícia Federal (PF) que apura possível desvio de recursos públicos repassados ao município para recuperação dos estragos causados pelas enchentes que atingiram o RS.
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A prisão é temporária e tem validade de cinco dias, que podem ser prorrogados. Caumo esteve à frente do Executivo municipal entre 2017 e 2024. A investigação não tem relação com a atual gestão.
"A ação integra investigação relacionada a contratos de prestação de serviços terceirizados firmados em períodos anteriores", diz, em nota, a prefeitura. Leia abaixo
O advogado Jair Alves Pereira, que representa Marcelo Caumo, informou que desconhece os fundamentos da prisão e a avaliou como "desnecessária", por ter depoimento já marcado antes da operação.
A empresária Lorena Mercalli também foi presa. Conforme a PF, ela seria ligada ao grupo que teria sido beneficiado.
A advogada Juliana Baiocco, que defende Lorena, afirmou que ainda não teve acesso ao processo e que todos os documentos e esclarecimentos já haviam sido prestados na fase anterior, em novembro de 2025. Baiocco acrescenta que a defesa aguarda vista dos autos para se posicionar novamente.
O g1 apurou que a Justiça determinou ainda dois afastamentos: Joanete Cardoso, vereadora de Encantado , e Elisete Mayer, chefe de gabinete da Prefeitura na época.
Em nota, a Câmara de Vereadores de Encantado ressaltou que a medida possui caráter temporário e "foi executada de forma imediata pela Presidência da Casa, em respeito à legalidade, à independência entre os Poderes e ao dever institucional". Veja a íntegra abaixo
A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Elisete Mayer até a mais recente atualização.
Operação Lamaçal
Batizada de "Lamaçal", a investigação é um desdobramento da operação realizada em novembro de 2025. Na ocasião, Caumo era o titular da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano. Ele colocou o cargo à disposição e teve o pedido de exoneração aceito após a repercussão do caso.
Conforme a PF, a análise do material apreendido na primeira etapa sustenta a hipótese de direcionamento de licitações na administração municipal.
"As investigações identificaram irregularidades em três licitações da Prefeitura de Lajeado envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, contratadas para prestar serviços de assistência social. Há indícios de que as escolhas não observaram a proposta mais vantajosa e de que os valores pagos estavam acima dos preços de mercado", explica a instituição.
Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária. Houve também sequestro de veículos e bloqueio de ativos. As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
As buscas ocorreram nas cidades de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre.
Os investigados podem responder por desvio ou aplicação indevida de verba pública, contratação direta ilegal, fraude em licitação, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Marcelo Caumo, atual secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do RS
Daniela Luquini e Sara Santis/Divulgação
Investigação
Ao longo da investigação, a PF diz que conseguiu verificar irregularidades em licitação feita pela prefeitura de Lajeado para contratação de uma empresa para prestar serviços de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista.
Houve dispensa de licitação sob a justificativa do estado de calamidade pública declarado pelo município em 2024. O valor total dos dois contratos, inicialmente levantados no curso do inquérito policial, somam aproximadamente R$ 120 milhões.
Nota da prefeitura de Lajeado
"Nota oficial
A Prefeitura de Lajeado informa que, na manhã desta quinta-feira (26/02), a Polícia Federal realizou diligências junto a setores do Executivo municipal, no âmbito da segunda fase da Operação Lamaçal.
A ação integra investigação relacionada a contratos de prestação de serviços terceirizados firmados em períodos anteriores à atual gestão.
Desde o início da operação a Administração Municipal vem colaborando com as investigações e prestando todas as informações e fornecendo documentos solicitados, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos."
Nota da Câmara de Vereadores de Encantado
"A Câmara Municipal de Encantado informa que recebeu e cumpriu integralmente a determinação judicial expedida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que determinou o afastamento cautelar de vereadora Joanete Cardoso, pelo prazo de 60 dias.
A medida possui caráter temporário e foi executada de forma imediata pela Presidência da Casa, em respeito à legalidade, à independência entre os Poderes e ao dever institucional de cumprimento das decisões judiciais.
Ressaltamos que não se trata de cassação de mandato, mas de medida cautelar no âmbito de processo que tramita sob sigilo.
Os trabalhos legislativos seguem normalmente, assegurando a continuidade das atividades da Câmara e o pleno funcionamento do Poder Legislativo.
A instituição permanece à disposição para esclarecimentos, dentro dos limites legais.
CÂMARA MUNICIPAL DE ENCANTADO/RS"
PF apreende R$ 400 mil em dinheiro durante operação contra desvio de verbas no RS
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