Globoplay lança série sobre médico suspeito de causar mortes e lesões em dezenas de pacientes no RS
06/01/2026
(Foto: Reprodução) Fotos de Waldomiro dos Santos Oliveira, paciente de João Couto Neto morto em 2010; cirurgião responde por homicídio doloso no caso.
Globo/Divulgação
A série documental "Quebra de Juramento - um médico no banco dos réus" estreia no Globoplay em 8 de janeiro e mergulha nos bastidores da investigação contra o cirurgião João Couto Neto. O médico responde a mais de cem inquéritos policiais, sob suspeita de ter provocado a morte de ao menos 40 pacientes e causado lesões corporais em outros 108.
Com três episódios, a produção revela detalhes inéditos sobre o caso. Especialista em cirurgias por videolaparoscopia, principalmente de hérnia, vesícula e endometriose, João era um dos médicos mais requisitados do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, e afirmava ter realizado mais de 25 mil procedimentos em 19 anos de carreira.
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Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que começou a investigar o caso em 2022, o médico teria abandonado a técnica e a ética para enriquecer, instaurando uma rotina descrita como “linha de produção” em hospitais particulares. A investigação aponta práticas sistemáticas de risco, negligência no pós-operatório e condutas antiéticas.
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A série traz depoimentos exclusivos de familiares de supostas vítimas, pacientes, delegados, representantes do Ministério Público, advogados, médicos e pesquisadores. Também apresenta áudios e mensagens enviadas por João Couto Neto a pacientes, além de depoimentos prestados pelo cirurgião à polícia.
“A série procura apresentar um retrato objetivo das investigações do caso. Traz as conclusões da polícia e da Promotoria até agora, mas sem entrar em juízo de valor sobre a responsabilidade do cirurgião, até porque se trata de um caso em aberto na Justiça", afirma a produtora executiva da série, Clarissa Cavalcanti.
"Apesar do número elevado de investigações, o cirurgião tem muitos ex-pacientes que o defendem, e a série procura contemplar todas essas posições, antecipando o debate que deverá ocorrer nos tribunais. Além de mostrar as dificuldades de investigar um médico no Brasil, ainda mais num caso complexo como esse”, completa.
Além do caso criminal, a produção amplia o debate sobre ética médica, mercantilização da saúde e os desafios para responsabilizar empresas e profissionais do setor em casos de falhas na prestação de serviços.
Segundo o Conselho Nacional de Justiça, ações por danos morais e materiais na saúde mais que dobraram em cinco anos, passando de 29,3 mil, em 2020, para 76,9 mil, em 2024, uma alta de 161%. Dados reunidos pela ONG Fiquem Sabendo, a pedido da produção, apontam que 97 médicos foram cassados pelo Conselho Federal de Medicina entre 2020 e 2024.
O número representa 35% dos profissionais julgados pelo CFM no período, mas apenas 0,01% dos médicos ativos no Brasil em 2024. Outro dado relevante é o aumento de escolas médicas, que passou de 181, em 2010, para 448, em junho de 2025, um crescimento de 147%, segundo o Ministério da Educação.
“A série toca num tema importante e que afeta todos os brasileiros – a precarização da relação médico-paciente", relata Thiago Guimarães, diretor e roteirista da série.
"Esse cenário, descrito por especialistas e por quem vivencia o cotidiano da medicina, fica claro diante da judicialização atual da saúde no Brasil. Independentemente do desfecho judicial do caso de João Couto Neto, a série mostra que esses processos e investigações sobre o cirurgião podem ser vistos como sintomas de problemas estruturais mais amplos na prática médica no país, e que se refletem de maneira direta na segurança do paciente”, afirma.
Médico João Batista do Couto Neto é preso no interior de São Paulo.
Reprodução
João Couto Neto chegou a ser preso duas vezes ao longo das investigações, mas hoje responde em liberdade. Proibido de exercer a medicina, ele já é réu em dois processos sob acusação de homicídio por omissão e com dolo eventual contra seis ex-pacientes. A Justiça do Rio Grande do Sul deve decidir em breve se os casos irão a júri popular.
A série tem direção de Thiago Guimarães, produção executiva de Clarissa Cavalcanti, roteiro de Thiago Guimarães e Renata Matarazzo, produção de Stephanie Lotufo e fotografia de Adriano Ferreira. Os três episódios estreiam no Globoplay no dia 8 de janeiro.
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